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JULIO JOSÉ CHIAVENATO


  STROESSNER: RETRATO DE UMA DITADURA (JULIO JOSÉ CHIAVENATO)


STROESSNER: RETRATO DE UMA DITADURA (JULIO JOSÉ CHIAVENATO)

STROESSNER: RETRATO DE UMA DITADURA

Obra de JULIO JOSÉ CHIAVENATO

Livraria brasiliense editora s.a.

São Paulo – Brasil

1980 (189 páginas – 2ª edição)

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

I - Terrorismo político e medo generalizado; o clima no Paraguai,

II - A corrupção é a alma da ditadura de Stroessner,

III - A ditadura de Stroessner é quem abastece os EUA de heroína,

IV - Uma grande indústria para limpar o dinheiro sujo,

V - Primeiro, os czaristas; depois, os nazistas; hoje o Paraguai é "sede internacional" da extrema direita,

VI - Duas instituições falidas e corrompidas: a política e o Poder Judiciário,

VII - Desde o genocídio cometido pela Tríplice Aliança á guerra civil que matou 10 mil paraguaios,

VIII - A “invasão brasileira' ; a resistência dos camponeses e a brutal repressão,

IX - A luta da Igreja Católica, que foi derrotada com o povo,

X - O Povo vai á sua última trincheira: a guerrilha paraguaia,

XI - Com Itaipu, o Paraguai pende a soberania completamente e o Brasil é potência subimperialista,  

XIL - No fundo do poço que a ditadura cavou, Stroessner chupa os ossos dos paraguaios,

Apêndice 1 - Balanço tímido, incompleto e impreciso da repressão - mas o único possível,

 Apêndice 2 - As condições de vida em Itaipu (da opressão aos trabalhadores á revolta dos peões na noite de 8 de março de 1978),

Apêndice 3 - Entrevista com Constantino Coronel, 

Apêndice 4 - Três colonos paraguaios morreram durante uma luta com brasileiros,

Apêndice 5 - A farsa já está montada esperando a repetição da história: os migrantes brasileiros no. Paraguai,

Apêndice 6 - Sete pequenos acontecimentos que bem „caracterizam o Paraguai atual,

Apêndice 7 - A imprensa no Paraguai (um panorama recente).



PREFÁCIO

O retrato da ditadura de Stroessner bem poderia ser um simples 3X4 - corrupção, repressão violenta, jogo, tráfico de drogas, contrabando. Está dito tudo.

Tudo?

E Itaipu? E a geopolitica brasileira? E a política do anticomunismo primário, estimulada durante mais de vinte anos pelos Estados Unidos? E o sangue: que escorreu nos porões do seu governo? E os que morreram nas torturas?

E a guerrilha? E o silêncio total que a imprensa do mundo inteiro fez quando os guerrilheiros paraguaios lutaram três anos contra a ditadura? E as armas, os, aviões e os veículos com que os Estados Unidos e o Brasil presentearam Stroessner?

E o roubo de terras dos camponeses - que eram mortos com- suas famílias  patrocinado pelo Exército paraguaio, para que estas terras fossem vendidas aos brasileiros? E a "invasão brasileira"?

Este livro poderia começar indo diretamente ao assunto: Mas corre um risco calculado, ao fazer o leitor entrar aos poucos na ditadura de Stroessner. Porque, para apreender o absurdo da ditadura de Stroessner, é preciso familiarizar-se com todo o clima paraguaio que levou a nação a aceitar pacificamente a violência.

Stroessner é a corrupção como método: é preciso que o leitor perceba como a corrupção metódica, sistemática, minou todo o organismo do governo paraguaio, contaminando tudo - inclusive o Poder judiciário -, permitindo uma ditadura grotesca, mas de grande eficiência ao controlar todo o Paraguai.

Por isso, ás vezes, o retrato de Stroessner amplia o tamanho: apresenta nuances cinzentas,  zonas indefinidas, contrastes menos ou mais marcados. Ao final, quando a "revelação" da fotografia se completa, a ditadura de Stroessner aparece como é: a corrupção como expressão da maldade, a traição maligna que uma camarilha de bandidos faz a um Povo martirizado.



A CORRUPÇÃO É A ALMA DA DITADURA DE STROESSNER

STROESSNER, TODO UM SISTEMA QUE  SE SUSTENTA NA CORRUPÇÃO


A CORRUPÇÃO É A ALMA DO REGIME DE STROESSNER.

Sem a corrupção - que implica inclusive no apoio econômico do governo brasileiro - a ditadura de Stroessner caiu. A corrupção, além de ser a base de sustentação do sistema ditatorial no Paraguai, ainda é uma espécie de "ideologia" de governo. Porque Stroessner não só usa a corrupção como fonte de poder político e riqueza pessoal, como corrompe para mamar toda a máquina administrativa e políticas nas suas mãos. Corrompe a todo nível: desde os seus ministros até á sua família. Corrompe e deixa corromper, cimentando um sistema que se une nacionalmente como uma grande Máfia, fornecendo a cada um dos seus "capos" as provas da podridão do nutro. E enfeixando todas as provas da "Família" nas mãos do grande chefe: Stroessner.

Dessa forma, não pode haver grandes dissonâncias nessa família ditatorial. O enriquecimento ilícito, a venda indiscriminada do país, os crimes políticos, o abuso de poder - tudo distribuído setorialmente aos beneficiários do sistema - funcionam como garantia de que ninguém trairá ninguém dentro desse governo onde a corrupção é a pedra de toque. As ambições individuais não podem ser excessivas na luta pelo poder: porque cada um dos beneficiários do sistema tem seus trunfos para jogar contra os concorrentes. E Alfredo Stroessner funciona como forja moderadora, detendo ele próprio "provas" suficientes que pode usar contra todos.

É mais prático e seguro, portanto, essa divisão perfeita do saque que a camarilha de Stroessner comete contra o povo paraguaio há vinte e cinco anos, do que qualquer pretensão individual de acesso ao Poder. Por essa mecânica, por essa "ideologia", Stroessner mantém o poder. E um sistema que hoje está sendo posto á prova, mas que tem funcionado durante vinte e cinco anos.

Aliam-se aos estelionatários paraguaios - quase todos instalados no governo - os estrangeiros. Eles dão golpes no mundo inteiro, formam grandes fortunas é quando são descobertos pela polícia, fogem para o Paraguai, onda pagam e recebem proteção para continuar operando.


MALANDROS DE TODO O MUNDO,

UNI-VOS NO PARAGUAI!


É o caso (por exemplo) de Alexander Barton e Thomas Barton, ambos estelionatários australianos, que fugindo do seu país foram ao Paraguai e tiveram garantias para investirem em negócios cujo capital inicial foi roubado na Austrália. Esses dois irmãos australianos, que fundaram no Paraguai a Recursos Del Paraguai S/A, pretenderam fazer negócios com o desenvolvimento das usinas de Itaipu e Yaciretá. Apesar de diplomatas australianos denunciarem os irmãos Barton como estelionatários, eles receberam todo apoio e proteção do governo paraguaio.

Outros delinqüentes internacionais que agiram livremente no Paraguai, apelar da insistência da Interpol e dos Estados Unidos em capturá-los, foram Pierre Travers e Augusta Ricord - ambos traficantes de drogas, o último finalmente entregue á Justiça norte-americana. Entes dois - Ricord estará como o grande personagem no capítulo sobre o trafico de heroína - eram conhecidos colaboracionistas franceses, durante a II Guerra Mundial. Ricord trabalhou para a Gestapo e tinha a audácia de dizer que era perseguido "por razões políticas". Como foi "anticomunista" na guerra, colaborando com os nazistas, "para os comunistas não tomarem a Europa", dizia que era por isso que estava sendo perseguido agora.

A mesura história contaram os irmãos Barton quando começaram as acusações de estelionato: estariam sendo perseguidos pelo governo "socialista" da Austrália - a quem eles venderam, numa operação fraudulenta, aviões DC-3, destinados a bombardear o Vietnã... A tônica do anticomunismo tem sido uma constante dos estelionatários "perseguidos" que são protegidos pelo governo de Stroessner. A estes, citados apenas como exemplos - e exemplos menores - poderiam unir-se outros. Como o estelionatário Viánini, que criou a LAPSA (Indústria Automotriz Paraguaia S/A.), pretensamente uma montadora da Alfa Romeo, que levantou fundos do governo e de particulares e, naturalmente, lesou a todos. Estes e muitos outros estrangeiros que especularam ou roubaram nos seus países, e foram empregar o dinheiro no Paraguai, nada mais fizeram que dar seqüência á uma tradição inaugurada pelos fugitivos nazistas, após a II Guerra Mundial.

A corrupção, porém, não fica apenas nesse nível policial. Ela tem uma mecânica própria e uma dimensão muito mais ampla. É esta dimensão e esta mecânica que vamos analisar


JOGO E CONTRABANDO, OS SUBPRODUTOS

DO PODER MILITAR E DAS NEGOCIATAS


Dentro do sistema de poder no Paraguai hoje, existem dois fortes grupos que dividem o saque que cometem contra o país, especializando-se em setores diferentes. O primeiro grupo é do general Stroessner e sua família. O nutra é do general Andrés Rodriguez.

O grupo Stroessner dedicou-se á exploração do jogo e negociatas com os bens públicos, utilizando-se naturalmente da influência do ditador. A família Stroessner mantém hoje, no Paraguai, o monopólio de todos os jogos - dos cassinos ao simples "jogo do bicho". O grupo de Stroessner não evoluiu empresarialmente e para sua sobrevivência econômica necessita de todo um mecanismo de corrupção e favoritismo governamentais.

O outro grupo, do general Rodriguez; ê atualmente muito mais forte economicamente. O general Andrés Rodriguez - comandante da Cavalaria: a única forja militar que pode deslocar Stroessner da presidência - é o homem que controla o tráfico de drogas. Ele tem aeroportos particulares e ligações internacionais com toda á organização que abastece os Estados Unidos de heroína. O volume dos seus negócios é altíssimo. Unido a alguns testas-de-ferro brasileiros - como veremos adiante - ele "investiu" seus lucros em bancos e financeiras, criando uma nova fonte de renda ao mesuro tempo que "limpava" seu dinheiro: O grupo econômico liderado pelo general Rodriguez chaga a dar-se ao luxo de, ser considerado "progressista", com uma visão empresarial técnica e lúcida. Praticamente - ao lado do Banco do Brasil, Banco Real e Bradesco - controla todo o sistema financeiro do Paraguai.

Uma das grandes negociatas de Stroessner beneficiando sua família é o luxuoso hotel Ita Enramada: além de ceder o monopólio do jogo, o governo de Stroessner conseguiu financiamentos para á construção do prédio e o próprio ditador assinou decretos liberando a empresa familiar de pagamentos de impostos. O hotel Ita Enramada, um dos mais luxuosos cassinos do mundo, pertence á empresa Hoteles y Casinos S/A, controlada majoritariamente pelo sogro da filha de Stroessner, Júlio Dominguez, que no dia da inauguração (3 de novembro de 1975*) agradeceu em discurso a colaboração do governo paraguaio. Os vinte e cinco mil metros quadrados de construção luxuosa do ita Enramada custaram nove milhões de dólares. Com decretos assinados pelo general Stroessner, a Hoteles y Casinos S/A foi liberada praticamente de todos os impostos de produtos importados para a construção do hotel. Segundo uma extensa lista publicada por Domingo Laino, os decretos 30299, de 10/1/73; 30682, de 31/1/73; 2986, de 9/1/74; 3215, de 18/1/74; 6370, de 3/7/74; 6147, de 24/5/74; e; 8701, de 2/9/74 liberavam de impostos nada; menos que 109 produtos (geralmente mais de uma unidade de cada produto importado). Entre os produtos que foram liberados de impostos e taxas para a empresa do sogro da filha de Stroessner, estavam mármores, lavadoras de roupa, automóveis, ônibus - 28 800 jogos de baralho! - mais cinqüenta máquinas para jogos mecânicos, vinte mesas de roleta, etc. Seria estender-se por páginas e páginas enumerar tudo o que o general Stroessner, através de sete decretos por ele próprio assinados, livrou de impostos para o sogro da sua filha.

E é através de Julio Dominguez, seu filho Humberto Dominguez e a esposa de Julio Dominguez, a senhora Dora A. de Dominguez, que Stroessner mantém para a sua família o monopólio dos jogos, desde 1969. Algumas vezes aparecem testas-de-ferro das famílias Dominguez-Stroessner - como a OPESSA, Rodolfo A. Valentino e outros - que servem de fachada para as negociatas, "limpando" a administração de Stroessner de uma participação mais direta na exploração do jogo. Um exemplo é a Crown Cork Paraguaya S/A, além dos já citados. Assim, pode aparecer de repente, na constelação dos jogos paraguaios, uma empresa como a Polla Paraguaya del Fútbol S/A. , formalmente - com decretos assinados pelo próprio Stroessner, como o n° 1251, de 16 de outubro de 1973, entregue a pessoas que não se ligam diretamente ao governo. Mas isso é apenas uma questão técnica, "operacional". Mesmo porque é uma ilusão grosseira para os estrangeiros, já que no Paraguai todo mundo sabe que os diretores da Polla Paraguaya são Osvaldo Dominguez e sua mulher, Karen Wilson Smith de Dominguez; que ele é filho de Julio Dominguez. Todos sabem que por trás do anonimato da Crown Cork, seu presidente é o Dr. Reinaldo Dominguez, irmão de Julio Dominguez. E que um dos que receberam por decreto o controle dos jogos de azar, transferido da senhora Dora A de Dominguez, é Rodolfo A. Valentino - nada menos que seu filho... Dessa forma, manipulando constantemente a distribuição do monopólio dos jogos de azar, Stroessner tenta, com decretos oficiais, não deixar pistas de que realmente o controle nunca saiu das suas mãos, através de testas-de-ferro chefiados por um dos seus "capos": o chefe da Família Dominguez, Julio Dominguez, sogro da sua filha.

(*) Coincidentemente, dia do aniversário de Stroessner.


O LUCRO DO DOGO É GUARDADO

COMO UM SEGREDO DE ESTADO


Enfim, os jogos de azar formam um grande monopólio, controlado pelo grupo de Stroessner. Para avaliar o volume dos seus negócios - naturalmente favorecido pela máquina administrativa do Estado, basta destacar alguns dos seus investimentos: 9 milhões de dólares, em 1975, no hotel Ita Enramada; 3,5 milhões de dólares na ICIERSA, uma empresa do filho de Stroessner, em 1976; 2 milhões de dólares na Pilas Paraguaya S/A. , nutra empresa dos familiares do ditador; 1,6 milhão de dólares para formar o capital da Crown Cork, em 1969. Estes investimentos, oriundos dó monopólio do jogo, totalizam 16,1 milhões de dólares.

Que, segundo acentua um minucioso estudo de Domingo Laino, representam cerca de 3 % do total da divida externa do Paraguai em 1978! Por esse simples dado percebe-se o lucro da família Stroessner na exploração dos jogos de azar.

Mas, se os lucros permitem entre os investimentos que se podem ter conhecimento mais de 16 milhões de dólares, quanto fatura a rede de jogo controlada monopolisticamente pela família Stroessner? É impossível verificar, porque tudo é mantido obviamente em segredo: como o monopólio paga um mínimo de impostos, sonegando a maior parte - com o que coma com a óbvia cumplicidade de funcionários ligados diretamente a Stroessner -, poucos tem acesso ao total do faturamento de toda essa jogatina.

Mas se é impossível descobrir o quanto a família Stroessner fatura como jogo - desde a loteria, loteria esportiva, roleta, carteado etc. - é fácil verificar os prejuízos sociais causados á nação. A tal ponto que nem a controlada imprensa paraguaia pode calar-se. Em julho de 78, o jornal ABC Color, encabeçando uma série de amigos, perguntava: "Somos um grande cassino?" E denunciava:

"(...) Resulta num espetáculo fascinante essas filas intermináveis em qualquer posto onde se joga a loteria esportiva. Há muitos que, como se costuma dizer, tiram o pão da boca dos filhos para ficar numa fila de um posto da loteria esportiva. Convertemos a geografia em uma mesa de jogo; muitos empregados, nesse final de mês, não receberão seu salário, porque retiraram vales para jogar. (...) Quase 250 milhões de guaranis; (pouco mais de 2 milhões de dólares) foram extraídos de milhares de pessoas... "

Isso quanto á Polla Paraguaya. Admite-se, por confidências de funcionários da Crown Cork, que essa empresa chega a faturar 17,1 milhões de dólares por ano, com a loteria simples. Trabalhavam para a Crown Cork cerca de 1500 funcionários, fora os seus quadros diretivos mais organizados.

Porém, há o que não se pode saber: quanto lucro dá Ita Enramada? O que a família Stroessner - através dos seus testas-de-ferro chefiados por Julio Dominguez - lucra com o carteado? Com a roleta?


O DITADOR ASSINA DECRETOS

PARA BENEFICIAR OS NEGÓCIOS DA FAMÍLIA


Não se pense porém que a corrupção do sistema favorece a família Stroessner apenas com os jogos. O ditador e seus parentes tiram proveito de nutras formas.

Em 31 de dezembro de 1968, o general Stroessner assinou um dos seus característicos decretos, proibindo a importação de arame. No decreto, Stroessner afirmava "que a indústria nacional de arame e seus derivados têm programado o inicio de sua produção industrial no curso do mês de Janeiro de 1969". Argumentando que a proibição visava proteger a indústria nacional, proibiu-se a importação de arame a partir daquela data. A fábrica - a ICIERSA - foi implantada com as tradicionais isenções de impostos e um investimento de 3,5 milhões de dólares, oriundos do monopólio dos jogos de azar. Sintomaticamente, o presidente de sua diretoria era um genro de Stroessner, Humberto Dominguez. Em 1976, a ICIERSA produzindo 600 toneladas de arame e 800 toneladas de chapas, Humberto Dominguez deixou a presidência, ocupando o seu lugar o filho do ditador: Alfredo Stroessner Filho. Ainda na diretoria da ICIERSA encontram-se Julio Dominguez (que é sogro da filha do ditador) e seu nutro filho, Osvaldo Dominguez.

O processo de Stroessner - proibir a importação de produtos que sua família vai produzindo, o que não visa evidentemente proteger a inexistente indústria paraguaia, mas favoreces os , monopólios familiares - repete-se em 1975, quando pelo decreto 19 427, de 2 de dezembro, "proíbe a introdução no território da República, sob nenhum pretexto, as pilhas elétricas". Logo em seguida surgiu a indústria Pilas Paraguaya, de propriedade de Humberto Dominguez, genro de Stroessner.

A Constituição do Paraguai proíbe qualquer monopólio ou medida que os beneficie. A lembrança, porém, é uma ingenuidades no Paraguai a lei é Stroessner.

O argumento de que essas medidas visam proteger a indústria nacional, se não se invalida pela simples evidência de que os donos dessas "indústrias paraguaias" são parentes de Stroessner, destrói-se pela constatação de que apenas esses "empresários" conseguiram este tipo de proteção. No Paraguai há uma fábrica de cerveja: no entanto, vendem-se em qualquer lugar cervejas importadas de toda parte do mundo. No Paraguai há fábricas de sapatos: e compra-se em qualquer povoado sapato importados do Brasil, da Alemanha e do Japão.

Mas as pilhas e o arame são "nacionais"...


REPSA: O MONOPÓLIO DA GASOLINA

MAIS CARA DO MUNDO


Mas nenhum dos escândalos em que se envolvem Stroessner e sua família atinge tão duramente a economia paraguaia como o caso da REPSA (Refinaria Paraguaya S/A. ). A REPSA é uma companhia de capital misto, que refina o petróleo consumido no Paraguai. Seus principais acionistas são Marcel Degraye e Philippe de Bourbon, que manobravam em 1962, quando foi criada, o entro ministro do Exterior do Paraguai, Raul Sapena Pastor. Dentro da combatida economia paraguaia, a REPSA tem um grande poder: faturou em 1974 quase dez milhões de dólares. É a principal acionista do Banco de Asunción S/A, cujo presidente era o mesuro ministro do Exterior, Sapena Pastor.

Os dois grandes acionistas da REPSA somente foram ao Paraguai quando se falou em nacionalizá-la, em 1972. Encontraram-se com Stroessner, fizeram doações a escolar e deixaram o Paraguai com a REPSA livre de qualquer perigo de nacionalização. Para erre processo contaram naturalmente com Sapena Pastor, além de outras importantes personalidades do governo. Depois que a REPSA garantiu o monopólio, começou a subir o preso da gasolina no Paraguai, a pomo de hoje ser a mais cara - e sem dúvida a pior - do mundo. (Quando no Brasil a gasolina comum custava Cr $ 8,20, no Paraguai seu preso era Cr $  20,00; em Janeiro/80 estava custando 105 guaranis, Cr S 35,00.)

Como se sabe, o Paraguai ganhou a guerra do Chaco, para perder seu petróleo em favor dos trustes internacionais. No Chaco inclusive, as concessões de zonas para prospecções de petróleo serviram para sustar um processo de reforma agrária. Concedida uma zona para, perfurar poços, implicitamente ela ficava Tora da possível reforma agrária reivindicada pelos camponeses paraguaios, mesmo na aridez do Chaco. Dessa forma, extensões enormes de terras foram cedidas a várias companhias, algumas ligadas á Standard Oil, outras meras fachadas de diversos trustes, como a International Products Corporation, que era subsidiária de uma firma "brasileira": a Fiduciária Fluminense S/A, ambas recebendo sete milhões de hectares para prospecção no Chaco.

Todas essas concessões caducaram em 1958, mas Stroessner assinou novos decretos (o decreto-lei 164, de 29/2/58, por exemplo) aumentado o prazo de exploração. Companhias fantasmas foram fundadas apenas para ganharem concessões no Chaco, sintomaticamente tendo á frente homens que comandavam importantes setores da política exterior dos EUA; precisamente na hora em que Stroessner terminava seu primeiro mandato e precisava do apoio externo para manter-se no poder.

Assim aconteceu con a Pure Oil, que foi fundada em Washington em agosto de 1957 e, um mês depois, recebia do governo de Stroessner a concessão de seis milhões de hectares para explorar no Chaco. Entre as coisas estranhas do contrato que garantiu a ação da Pure Oil no Chaco, havia uma cláusula, que permitia que seus livros contábeis ficassem na sua matriz, no estado de Dellaware, nos EUA, obvio: o governo paraguaio abria mão de qualquer fiscalização sobre a empresa. As assembléias da "sociedade anônima" seriam efetuadas em sua sede, em Chicago.

Quem era seu presidente?

Nada menos que Henry Holland, subsecretário para Assuntos Interamericanos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Logo que obteve a concessão ele renunciou ao cargo e passou a exercer a presidência da Pure Oil. Os escândalos com o petróleo, que com a REPSA explodem hoje no Paraguai, têm uma longa tradição, que não elimina em momento algum o ditador Stroessner.


UMA HERANÇA QUE SE COMPORTA A

MEDIDA DO FIGURINO: CORROMPENDO


A REPSA é herdeira de toda essa política de corrupção. Foi criada para refinar o petróleo que o Paraguai consome. Mas seu maquinário é um ultraje - foi transferido da Bolívia, onde era sucata da Standard Oil. As máquinas que a refinaria da REPSA usa datam de 1932: por isso a produção é antieconômica e perde-se muito óleo cru até chegar á gasolina: O governo paraguaio, natural cúmplice do truste, não fiscaliza nem pressiona - pelo contrário, favorece e dá proteção legal á REPSA. E, em torno do seu negócio - refinar petróleo -, a REPSA armou toda una atividade suplementar, que pode ser até mais lucrativa que a função para a qual obteve licença de atuação no Paraguai.

Dessa forma, o petróleo que a REPSA refina é comprado por duas firmas (CPF-TOTAL e INTERETUD), que são subsidiárias do próprio truste: con isso ela mantém mais duas empresas faturando comissões sobre o petróleo comprado, que obviamente chega ao Paraguai con um superfaturamento. E, ao contrário do que a REPSA informa á nação, o petróleo consumido no Paraguai nunca foi comprado diretamente dos produtores, no caso a Argélia. O petróleo realmente era da Argélia, mas comprado pelas subsidiárias da REPSA nos revendedores da Franja, aumentando pregos, comissões, gastando mais divisas, etc.

Além disso a REPSA mantém o grosso dos seus depósitos de petróleo em Zárate, na Argentina. Assim ganha mais una possibilidade, que usa impunemente. Quando quer forçar a alta do preso da gasolina, retém o petróleo na Argentina: afirma que não há entrega no mercado internacional. Fez isso, por exemplo, em 1974, prejudicando inclusive o escoamento da safra da mais rica região agrícola do Paraguai, em Itapúa. Esse comportamento foi denunciado pela Unión Industrial Paraguaya, acusando a REPSA de chantagista.

Apesar das evidências, o governo de Stroessner protegeu a empresa e ela obteve um aumento no preso dos derivados de petróleo de 60,71%, quando em todo o mundo, na mesma época, ele foi de 13% em média – e no Paraguai os técnicos calculavam que ele deveria ser entre 10 a 20%. O lucro da REPSA por litro de gasolina é um dos maiores do mundo: 32 % . Isso só na refinação e venda da gasolina, sem contar o que fatura com suas subsidiárias até na compra do petróleo bruto; sem contar as comissões que recebe dos franceses por comprar nos escritórios de París o petróleo que vem da Argélia...

Todos esses lucros - e ainda veremos mais subsidiárias da REPSA - não impedem que a gasolina fornecida ao povo paraguaio reja a pior possível. Assim como o óleo diesel. Tanto a gasolina como o óleo diesel, em junho de 1979, começaram a ser recusados pelos postos de serviço, porque estavam estragando os motores. A situação piorou a um nivel perigoso, obrigando o governo paraguaio a tentar uma frustrada importação de gasolina da Argentina e, posteriormente, uma proposta ao Brasil, Uruguai e Chile para comprarem petróleo em conjunto, para "ficar mais barato" - a intenção, Porém, era conseguir que o Brasil refinasse uma parte. Apesar de admitir dessa forma que a REPSA era no mínimo incompetente para satisfazer o mercado paraguaio, o ministro da Indústria e Comércio, Ugarte Centurión, afirmou aos jornais que nada havia contra a empresa. E garantiu que a frustrada "frente quatripartite" para comprar petróleo visava especialmente dar á REPSA um produto mais barato para ser refinado.


A REPSA LIQUIDOU A PROTA

MERCANTE DO PARAGUAI


Mas o escândalo da REPSA não fica apenas nisso. Com as  suas subsidiárias ela vai aumentando a área de corrupção e lucro ilícito. O que só é possível com a conivência e cumplicidade do governo paraguaio que, pelas suas figuras proeminentes, liga-se indiretamente á REPSA.

De nutra forma não se explica o prejuízo causado pela REPSA á frota mercante do Estado. Antes da REPSA, o petróleo era transportado por barcos paraguaios. Mas a empresa conseguiu um financiamento oficial - obviamente em dólares, embora pague amortizações em guaranis (a moeda nacional do Paraguai; um dólar valia 129 guaranis em junho de 79) - para comprar sua própria frota. Assim nasceu a NAVIPAR, que substituiu a Flota Mercante del Estado no transporte de petróleo. O prejuízo causado pela paralisação da frota paraguaia foi a 43,2 milhões de guaranis por ano. É claro também que a NAVIPAR cobrava fretes mais caros do que cobrariam os navios do Estado e, obviamente, isso encareceu o preso do petróleo. Porém, é mais lucrativo á REPSA ter o custo do petróleo aumentado, desde que a alta do preço beneficie com os fretes uma das suas subsidiárias. Embora faca errar manobras para tirar o máximo da economia paraguaia, estimulando muitas subsidiárias, a REPSA consegue do governo de Stroessner liberação de taxas portuárias, por exemplo, beneficiando a si própria ou á NAVIPAR. Algumas vezes a REPSA teve que desmentir pelos jornais que a NAVIPAR foi criada com seus financiamentos: em vão - alguns deputados da oposição (enquanto puderam trabalhar, em 1972, como o caso de Domingo Laino) provaram o comprometimento do truste norteamericano exibindo seus balancetes onde se registravam tais investimentos.

A REPSA, aliás une-se a nutra poma de corrupção: a política de procurar e nunca encontrar petróleo no Paraguai, o que evidentemente teria que mudar toda sua estrutura de ação.

Somente: a descoberta de petróleo no Chaco - que nenhuma empresa estrangeira se esforça por encontrar, embora perfure e feche pomos sem informar ao governo os resultados – poderá impedir que a ditadura de Stroessner prossiga favorecendo as grandes negociatas da REPSA.

Negociatas em que não comente lucram a REPSA, como perde o Estado. Ainda a Flota Mercante: depois do aparecimento da NAVIPAR sua arrecadação caiu em nada menos que 78,6%! Isso originou-se de um boicote de mais de oito anos contra a Flota Mercante, até levá-la a uma situação de inviabilidade e insolvéncia. Entro, a NAVIPAR apresentou-se como salvadora da empresa estatal e ofereceu-se para comprar seus barcos. Consegue, por um preço baixíssimo. Em 1970 a NAVIPAR comprou cinco barcos petroleiros do Estado, pagando por eles 358 milhóes de guaranis. A NAVIPAR usou eses barcos durante alguns anos, sem cuidar seriamente da sua conservação. E, depois desse tempo; propós vendé-los de volta ao Estado por 384 milhóes de guarañisl

Consegue com o aval do ditador Stroessner, em 13 de setembro de 1974. A REPSA é uma das maiores negociatas que o Paraguai já conheceu. E por que é possível que isso ocorra ás escáncaras?

Porque ligado á REPSA náo está apenas o ditador Stroessner - que autorizou a "recompra" dos barcos velhos por preso superior - mas todo um sistema político corrupto.

Porque a corrupção econômica da REPSA liga-se á corrupção política do sistema, subvértendo também personalidades da Corte Suprema (de forma direta ou indireta) e importantes ministros, que correm a defender o monopólio quando a opiniáo pública fica irritado, como no caso de Ugarte Centurión, ministro da Indústria e Comércio.

Não tolhe a atuação corrupta da ditadura de Stroessner sequer a grave situação do país em relação ao petróleo. A REPSA foi autorizada pela Lei 847, de 1962, é continua sendo a única empresa com permissáo de refinar petróleo, enquanto todos os setores empresariais e técnicos alertam o governo para o grave risco queisso está implicando. Mas como a REPSA posibilita grandes lucros a muitas "Familias" da grande Máfia de Stroessner, o povo continuará pagando os prejuízos. E entre o mais grave prejuízo, a inflação, que um aumento desordenado no preso dos combustíveis provoca numa economia frágil como a do Paraguai.


NO SISTEMA DE CORRUPÇAO

O CONTRABANDO É APENAS A PARTE MENOR


Comparado ao escândalo da REPSA e ao tráfico de drogas - o Paraguai é a rota por onde a heroína vai aos EUA - o contrabando é uma pequena brincadeira do sistema de corrupção da ditadura de Stroessner. Nem por isso menos danoso ao país. Nem por isso Ponte insignificante de enriquecimento ilícito.

Existem - de acordo com cálculos das polícias argéntina e brasileira- dez mil automóveis roubados circulando no Paraguai. Para que eses carros roubados circulem no país, eles precisam ser "limpos". Isto é, receber a "legalização", documentos paraguaios, licença, etc. Isso é conseguido facilmente, por quadrilhas que estão ligadas a funcionários do governo.

Este fato, um dos mais explorados folcloricamente como característica da ditadura de Stroessner, náo chega a ter grande importáncia. É apenas a ponta do iceberg de corrupção, apenas a epiderme, o que se pode ver claramente. As "boas relaçóes" do governo de Stroessner com os sucesivos governos militares de Brasília impedem uma medida mais drástica contra o roubo dos carros brasileiros. Da mesura formaos argentinos, que náo tém interesse em irritar o governo de Stroessner, deixam que suas polícias de fronteira tratem do asunto, sem envolvimento mais profundo para impedir o roubo continuado. De certa forma, Brasil e Argentina tacitamente estabeleceram uma "cota" de carros roubados que podem ser levados ao Paraguai: aliás, as quadrilhas que praticam os roubos sáo também brasileiras e argentinas.

O contrabando de eletrodomésticos, roupas e bebidas, institucionalizou-se de tal forma no Paraguai, que a sociedade aprendeu a conviver com ele. Esse contrabando, que aparece come dato espetaculoso, é um reflexo menor do sistema de corrupção, que está entranhado a nivel de governo. O mal que causa - e que não é pouco - é a evasáo de divisas e a possibilidade de enriquecer desmesurada mente pequenos grupos, que acabam por se unir á grande Máfia governamental, para que possam sobreviver. É uma engrenagem do sistema - o governo permite que alguns grupos usufruam do contrabando e se enriqueçam. Esses grupos formaram uma elite comercial, aglutinam-se em associações que se tornara poderosas como forjas econômicas e, porque estão comprometidas com o sistema de corrupção que lhes permitiu o enriquecimento fácil, apóiam fortemente a ditadura.

A importáncia do contrabando - que representa entre 40 e 50%,  dos produtos vendidos no Paraguai - não se dimensiona pelo volume de negócios, que não é pequeno para um país de trés milhóes de habitantes. Mas, especificamente, na manutenção de uma estrutura corruptiva que é o sistema ditatorial de Stroessner.


500 CAMINHOES DE MADEIRA

CONTRABANDEADOS DIARIAMENTE PARA O BRASIL


Embora com cifras menores, mais importantes é o contrabando de madeira que se faz para o Brasil: diariamente 500 caminhóes levaram todas de madeira da floresta paraguaia para o lado brasileiro. Com a proibição do governo brasileiro de cortar árvores indiscriminadamente na región de Ponta Porá, o contrabando de madeira tomou um grande impulso. Do lado paraguaio, legalmente com a concessão do governo, formaram-se várias firmas - entre elas multinacionais com sede no Japão - para derrubar árvores.

Como não há controle sobre a quantidade de árvores cortadas, estas firmas - organizadas especialmente para o grande contrabando - arrasaram a selva paraguaia. Segundo várias denúncias de organismos internacionais de proteção ao meio-ambiente, estão derrubando inclusive pequenas árvores de urundey-mi, de tal forma que o Paraguai pode ficar era um fúturo próximo sem nenhum tipo de madeira nobre.

Existem trilhas dentro da floresta por onde os caminhóes pasara facilmente ao lado brasileiro, onde entregara a carga contrabandeada que, quase automaticamente, recebe legalização, como se fosse colhida em zonas do Brasil onde se permite o abate - claro, áreas brasileiras que já foram devastadas e, por conseguinte, devem apresentar uma "estatística" fabulosa pela sua inesgotável produção...

O governo paraguaio nada faz para impedir o saque á sua floresta: a Federación de Madereros del Paraguay vera denunciando o contrabando desde 1974. Claro, a Federación - inclusive integrada por autênticos colorados - sabe que a esse ritmo chegará em breve o dia em que a indústria madeireira no Paraguai não terá matéria-prima. A resposta da ditadura de Stroessner foi facilitar o contrabando, autorizando através do Consejo Nacional de Coordinación Econômica a instalação de mais 25 indústrias madeireiras - quase todas de capital brasileiro - era torno de Pedro Juan Caballero.

Em 1973 já se tinha contrabandeado - só por terra, porque há áreas onde o contrabando se faz por água - 36 mil todas de madeira. Isso significó cerca de 800 mil dólares era contrabando: a soma em dinheiro não tem grande importáncia (embora para a región seja muito significativa), mas asume um risco de calamidade ecológica pela devastação provocada e pelas futuras implicações econômicas.

Outro contrabando usual é de alimentos, Sem maiores problemas, em 1973, foram contrabandeados de Loreto, Concepción e Horqueta, era torno de 2,5 milhões de dólares em sementes de tartago,* que apenas se carregavam era caminhóes brasileiros - que entrara sem problema algum no Paraguai - e passavam por Ponta Porá, ao Brasil. É claro que em tudo isso, além dos aspectos em longo prazo - devastação da terra, da floresta, escasez no mercado - ainda o Estado paraguaio sobre com uma enorme evasáo de receita. A ditadura de Stroessner sabe: mas é justamente o seu sistema de corrupção que estimula tacitamente o proceso, porque os pequenos grupos internos que, se enriquecem com o contrabando nessa área são ali a fonte de sustentação do seu governo.

Sacrifica-se a nação era favor do sistema - quanto mais corrupção, mais fácil o controle do país pela ditadura de Stroessner.

(*) São várias espécies de mamona, de onde se obtém óleos finíssimos.


O PARAGUAI ESTÁ SENDO ENTREGUE

TOTALMENTE ÁS MULTINACIONAIS


Seguindo a merma política de entregar o país ás multinacionais, com alguns beneficiários internos das grandes negociatas-obviamente ligados á "Familia" - Stroessner concedeu uma importante concessáo á The Anschutz Corporation, para explorar e industrializar minerais numa área de 160 mil quilómetros quadrados. Essa área abrange nada menos que 39% do território paraguaio! Praticamente toda a possibilidade de exploração de minérios fica nas máos da The Anschutz; o contrato estabelece um prazo que pode ser até de 40 ou 50 anos, com exclusividade na área o que certamente limita a exploração estatal quando os minérios forem encontrados, ficando uma regiáo enorme imobilizada, se a The Anschutz limitar-se (o que será cesto) a satisfazer seus intereses particulares apenas. No contrato assinado com a multinacional dá-se exclusividade para exploração e industrialização de minérios e minerais metálicos e náo metálicos, radioativos, "minerais fósseis energéticos", minerais preciosos e semipreciosos, etc.

Segundo denúncias da oposisáo paraguaia, quem negociou esse convênio completamente desinteressante ao país foi Robert J. Stroessner que, em troca dos "seus bons oficios" á multinacional, ganhou em Denver uma agéncia de turismo para o governo paraguaio. Denver é a sede da The Anschutz... O representante da The Anschutz no Paraguai é Ricardo Brugada que, por coincidéncia, é o intérprete oficial de Stroessner. A The Anschutz já em 1977 começou uma pesquisa com muito carinho: a procura de uránio.

Até aqui foi comentada uma parte da sede de corrupção ligada diretamente - mesmo que através dos seus testas-de-ferro - ao ditador Alfredo Stroessner. Chegou a hora de analisar uma interessante figura do subdesenvolvido fascismo paraguaio: o general Andrés Rodríguez, comandante da Cavalaria, o homem que controla o mais importante pólo de contrabando no Paraguai - as drogas.



COM ITAIPU, O PARAGUAI PERDE A SOBERANÍA COMPLETAMENTE

E O BRASIL É POTÊNCIA SUBIMPERIALISTA


BRASIL E EUA APÕIAM A DITADURA

VISANDO A ESPOLIAÇÃO DO PARAGUAI


Por que os Estados Unidos e o Brasil apóiam tão incondicionalmente a ditadura de Stroessner?

O imperialismo dos Estados Unidos foi o mais presente, o mais agresivo que já vitimou o povo paraguaio, - pior que a presença norte-americana só mesuro a guerra da Tríplice Aliança, no século pasado. A presença do imperialismo norte-americano começa a demarcar-se principalmente na década de 30, com a guerra do Chaco. Inicialmente os EUA apoiaram a Bolívia, que estava sendo financiada na guerra contra o Paraguai pela Standard Oil of New Jersey. Após a vitória militar do Paraguai, o embaixador Spruille Braden trabalhou na Conferência de Paz, realizada em Buenos Aires. A partir da sua atuação começou a infiltração diplomática norteamericana, como ponta-de-lança do imperialismo, visando o possível petróleo no Chaco.

O resultado foram alguns acordos e tratados que, especialmente depois da II Guerra Mundial - quando o Paraguai pendeu extra-oficialmente para o Eixo e os próprios EUA não tiveram tempo para dedicar-se á espoliação latino-americana em grande escala -, atrelaram a economía paraguaia aos  norte-americanos.

Essa entrega do país assim como os convênios que deram área de prospecção de petróleo no Chaco eram tão lesivos que só puderam ser mantidos através de ditaduras grotescas. Os regimes democráticos, com a liberdade permitida para denunciar o imperialismo norte-americano na caça ao petróleo - e os subimperialismos que comiam migalhas, como o brasileiro e o argentino  romperiam a estrutura de dominação.

Stroessner prorrogou os convênios de prospecção de petróleo, aumentando em mais de 1000% os territórios de pesquisas, enquanto diminuiu o preço a ser pago por hectare  pelas companhias norte-americanas em menos de 60%. Diminuiu a margem de lucro que o Estado teria, de 12% para 11%  na Bolivia, por exemplo, o Estado tinha participação de 50% nos lucros.

Como já vimos anteriormente, 39% do território paraguaio foi entregue recentemente por Stroessner para uma companhia de Dellaware pesquisar minérios. Há ainda os ' intereses comerciais e políticos e não se pode descartar o anticomunismo, que também é uma indústria dentro dos EUA.

Nenhum governo pode ser mais dócil: o Paraguai é uma simples colônia, onde os EUA fazem o que lhes interesa quando querem: Já vimos anteriormente que um subsecretário do Departamento de Estado (Henry Holland) chegou a abandonar seu cargo para ser presidente da Pure Oil, tais as vantagens que essa companhia obteve para explorar petróleo no Paraguai.

Toda essa rede de negociatas seria impossível sem um governo corrupto, que usa a capa do anticomunismo para presidir a entrega do país.  E como a entrega favorece aos Estados Unidos - não só pelos beneficios imediatos, mas também pelo fortalecimento do seu sistema de dominação imperialista - há a colaboração dos norte-americanos em todos os níveis da ditadura.


COM O AVAL DE NIXON, O SUBIMPERIALISMO

BRASILEIRO DOMINA O PARAGUAI


Paradoxalmente, porém, é a presença dó subimperialismo brasileiro que boje é mais importante para, a ditadura de Stroessner. O Brasil - e não é necessário lembrar o genocidio cometido na guerra de 1864/70 - sempre teve uma acentuada presença no Paraguai. A partir da década de 50, quando o subimperialismo argentino foi perdendo potencial,  os brasileiros preencheram o vazio, crescendo sua "ajuda" aos paraguaios.

Alfredo Stroessner foi educado militarmente no Brasil.  Nenhum governo brasileiro - desde Getúlio Vargas a partir de 1930 - hostilizou o Paraguai. Quando houve o inicio do proceso de industrialização brasileira no governo de Juscelino  Kubitschek, a economia brasileira tratou de estabelecer mais solidamente sua presença no Paraguai.

Finalmente, quando a partir da década de 60 o Paraguai já era um mercado em potencial - para a exportação dos nossos manufaturados como para negócios internos financia mentor, etc. -, a presença brasileira já liderava os subimperialismos sul-americanos que disputaram a hegemonía do saque ao Paraguai.

Foi a partir do sinal verde de Richard Nixon, dando ao Brasil a autoridade de ser a "policía do continente", que deflagrou o proceso que a partir do governo Medici caiu como uma avalancha sobre o Paraguai e tornou-se uma obsessão com Itaipu. Obsessão patológica que, evidentemente, afeta quase na totalidade o organismo paraguaio. Que sobre a doença e ainda é obrigado a comprar os remédios - que não curam e provocam inúmeros efeitos colaterais - no Brasil: pagando em dólar, recebendo o troco em cruzeiros...

O crescimento brasileiro como força subimperialista foi estimulado pelos próprios norte-americanos: sem esse aval não seria possível o Brasil asumir a liderança latino-americana. Por questões táticas inclusive: os países sul-americanos aceitariam melhor, segundo o entendimento dos EUA, o Brasil como testa-de-ferro do imperialismo norte-americano. É uma tática discutível, mas que foi aplicada, aliando-se às  necesidades políticas dos Estados Unidos aos desejos expansionistas da ditadura militar brasileira, especificamente condensadas na sua geopolítica, liderada pelo general Golbery do  Couto e Silva.

Para que isso acontecerse, seria necessário que também o  Brasil oferecesse algo em trocar não bastava ao imperialismo norte-americano que a ditadura militar se prestasse diligentemente ao papel submisso de testa-de-ferro - que para o nacionalismo expansionista interno soava como um feito de "grande potência" - sem que abrirse as comportas da sua economia á liberdade ampla de ação do capitalismo internacional, nítidamente sediado nos Estados Unido: O movimemo militar de 1964 serviu como uma luva para a nova forma de dominação norte-americana, especialmente quando Roberto Campos foi ministro da Fazenda. Aliou-se à submissão e entrega do governo Castelo Branco, a repressão que liquidou as forças populares, a desorganização dos núcleos políticos nacionalistas. E plantou-se al - entre 1964  a 1967 _ a semente da geopolítica brasileira em seu grau maior que frutificaria a partir de 1971, no violento governo do general Medici, já asentado sobre o "milagre económico"

Então aconteceu Itaipu, que tem graves ressonâncias  na política do Cone Sul, rompendo um relativo equilíbrio de  forças que até então vinha existindo entre o Brasil e a Argentina obrigando a ditadura de Stroessner a abandonar a sua "poli tica pendular", bandeando - é o termo - para  a dependência praticamente total da economia brasileira.


ITAIPU: A GRANDE JOGADA GEOPOLITICA

DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA


O Brasil poderia obter um maior potencial de quilovates se construirse usinas hidrelétricas aproveitando seu rios  da hacia hidrográfica de São Paulo e Paraná. Essa energia elétrica poderia ser mais barata que a gerada por Itaipu sem contarmos ainda a "sociedade" com o Paraguai - porque eliminaría as extensas redes de condução desde o rio Paraná, evidentemente porque a produção e distribuição se dariam muito mais próximas às fontes consumidoras: No entanto, Itaipu foi executada como uma obra geopolítica; visando especialmente prejudicar a capacidade da Argentina em aumentar seu potencial hidrelétrico

Por quê?

Porque a Argentina praticamente não tem minérios Porque a Argentina disputa com o Brasil a posse das reservas do ferro de Mutun, na Bolivia. Porque, com a Argentina prejudicada na produção de energia elétrica, está praticamente descartada a sua possibilidade de; construir siderúrgicas que trabalhem o minério que poderia obter de Mutun. Porque isso acontecendo -- e obviamente a Argentina ficando sem matéria prima industrial - o Brasil desponta como a única grande potência industrial da América do Sul, com inegável predominância económica (de onde decorre a superioridade militar e a força política) no Cone Sul.

(Esas não são considerações gratuitas: a imprensa brasileira, especialmente O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e o Jornal do Brasil - para não citar a imprensa alternativa: Opinião, Movimento e Coojornal entre outros  publicou entrevistas e reportagens com técnicos e engenheros, como Marcondes Ferraz, demonstrando as posibilidades técnicas de conseguir ó mesuro potencial hidrelétrico sem os cultos absurdamente altos de Itaipu:  Sé os técnicos demonstram que foi abandonada uma viabilidade comprovada muito mais barata e que foi adotada uma solução muito mais difícil economicámente, exigindo uma tecnología que em alguna casos não temos no Brasil - como o caso das turbinas - é evidente que existe uma "razão de Estado" por trás de tudo. Encontrar essa "razão de Estada." é um problema simples: basta analisar a política brasileira,  os falos concretos da sua ligação internacional. Basta pesquisar o histórico da famosa geopolítica brasileira, grotesca mas eficiente para seus- fins expansionistas, cujo teórico e inspirador é o general Golbery do Couto e Silva As conclusões são óbvias.).        ,

Itaipu é á mais poderosa arma da geopolítica brasileira  É um fato concreto: é a marca da vitória especialmente contra os argentinos. E também um elemento de crise constante entre os dois países, com problemas fácilmente presumíveis quando estiver funcionando. Um deles - e vamos excluir os fantásticos, os hipotéticos, muito a gosto dos militares argentinos: por exemplo, o rompimento de suas barreiras e a inundação de Buenos Aires... algo dantesco -, pois bem: um deles, paralelamente ao desastre económico causado Argentina, é a poluição que poderá causar no rio de la Plata

A industrialização da área ao longo do rio Paraná, forçada pela abundante energía de Itaipu, poderá provocar  a descarga de residuos industriais nas águas que chegan até o rio de la Plata. E, como se sabe, a água potável de Buenos Aires e algumas importantes cidades  argentinas (Santa Fe, Paraná, Corrientes, etc.) vem toda do estuario do Plata ou do Paraná: Se o rio Paraná for poluído - como a experiência industrial brasileira demonstra fartamente, todo processo de industrialização é seguido de violenta e irreversível poluição - Buenos Aires Vai Picar sem água para beber e para alimentar suas indústrias:


(*) Os acordos entre os governos militares do Brasil e da Argentina, para as ``cotas" das suas hidrelétricas, não anulam de forma alguma a presença agresiva de Itaipu, a 10 quilómetros da fronteira com a Argentina. Os argentinos, negociando acordos de "cotas" com os brasileiros, apenas rendem-se ao falo consumado. Itaipu é irreversível, como uma ameaça geopolitica. A ditadura militar argentina, apresentando-se formalmente satisfeita com os acordos, apenas procura uma satisfação á opinião pública da Argentina, esquivando-se de aceitar á incompetência que permitiu a construção da grande hidrelétrica brasileira.


O Paraguai, portanto, foi atrelado á economía brasileira na realização de Itaipu, para servir á geopolítica usada contra a Argentina, entre outros fatores. Deixando-se de lado a exaustiva discussão sobre as diferençãs de ciclagem entre o Paraguai e o Brasil, o que é realmente mais importante  é o grau de dependência económica que Itaipu atribuí aos paraguaios. Todos os empréstimos que o Paraguai utiliza para dar "sua parte". Na construção de Itaipu, foram negociados com o Brasil. Isso significa, o Brasil' conseguiu os dólares de organismos de créditos no exterior e repassou-os ao Paraguai Mas esse dinheiro, antes de chegar ao Paraguai, foi "renegociado" ao câmbio brasileiro - ele chegou aos paraguaios revalorizado pela baixa cotação do cruzeiro em relação ao dólar e sua alta frente ao guaraní. Qual é a fonte de renga que o Paraguai terá para pagar esses dólares dos empréstimos que toma do Brasil, revalorizados ao câmbio brasileiro? - A energia de Itaipu; a sua cota na produção de Itaipu.

Porém, a sua cota só pode ser negociada com o Brasil e em cruzeiros, conforme estabelece o acordó entre as dual partes. Isso quer dizer, o, Paraguai engravidou sua dívida externa tomando dólares do Brasil - que foram revalorizados no mercado financeiro brasileiro para "incharem" o seu volume - e quando a Itaipu Binacional for vender energia, receberá em cruzeiros. Como o Brasil será o país comprador da energía, é claro que o Paraguai só Vai ter como pagamento da sua cota dinheiro que só pode ser gasto internamente no Brasil!

Stroessner merece o título de Cidadão Brasileiro...


ITAIPU: OS PARAGUAIOS TÊM QUE PAGAR

JUROS SOBRE JUROS DOS JUROS...


A dívida externa do Paraguai até 1977 era de 850 milhõesde dólares. Nessa dívida externa - que é muito grande para a economía de um pequeno país como o Paraguai - grande importância começa a ter a Itaipu Binacional que á medida que necesita mais dinheiro (e sobre um proceso inflacionário que sempre precisa mais), endivida automaticamente o Paraguai. Hoje, técnicos paraguaios calculam que para cada dólar que a Itaipu toma emprestado, paga oito. Com algumas agravantes que incidem exatamente contra a economía paraguaia. Por exemplo, do empréstimo inicial de 3,5 bilhóes de dólares que o Brasil fez á Itaipu Binacional, 38,87%, ficaram aquí, no Brasil, em pagamento de juros até 1983. Dos 3,5 bilhóes de dólares, ficaram no Brasil 1,36 bilháo de dólares em pagamento antecipado de juros... Esse dinheiro - os 3,5 bilhóes de dólares - representa para o Paraguai um empréstimo á Itaipu Binacional e não ao governo paraguaio. Ou seja, a cota de integralização da Itaipu Binacional, referente ao capital paraguaio, foi depositada pela Eletrobrás, que ainda consegue cobrar um juro adicional de 2% sobre o total da dívida... (Dos 3,5 bilhóes de dólares chegaram á Itaipu Binacional. . . . . . . . 2139 550 000 - a Eletrobrás Vai receber, porém, da Itaipu, os juros de 2% sobre o valor total do empréstimo, além dos juros já pagos.)

A complexidade dos contratos - que não são divulgados e se conhecem apenas cláusulas esparsas, não havendo interese nos dois países de divulgó-los, o que dificulta a sua compreensão - favorece específicamente a agiotagem brasileira, inclusive.

Além desses aspectos, deve-se saber que o empréstimo de 3,5 bilhóes de dólares destinou-se às primeiras obras: compra de mataríais, etc., que notoriamente só se encontram no Brasil. Ou seja: a sua quase totalidade - excluindo-se os gastos de organização, administração (e isto ainda em pequena parte), etc. - voltam ou ficam no Brasil.

É por esse motivo - entre outros também muito significativos - que o Brasil dá um apoio extremado á corrupta ditadura de Stroessner: o Paraguai é o nosso quintal, como Cuba foi á latrina dos Estados Unidos ao tempo de Baptista.

 

 

 

 

 

DOCUMENTO DE LECTURA RECOMENDADA:

 

GENOCIDIO AMERICANO . LA GUERRA DEL PARAGUAY.

Obra de JULIO JOSÉ CHIAVENATO

Traducción: JUSTO PASTOR BENÍTEZ (h).

Tapa: Ilustración del Álbum de la Guerra del Paraguay,

Tomo II – Nº 27 – Año 1984 – Ed. Argentina

Carlos Schauman Editor, Primera Edición en Castellano,

Asunción – Paraguay. Mayo 2008 (224 páginas)

 

(Hacer click sobre la imagen)

 

 




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